realidades.
falaí,família.
estava jiboiando em casa ontem (do verbo "jiboiar" = nada fazer; morgar no sofá ou na cadeira de praia) e vendo o jornal da rede tv, quando uma reportagem me chamou a atenção: a polícia militar do Rio.
eu tava na frente da UERJ terça retrasada esperando dar o tempo de uma aula que dou lá e tinhas uns puliça revistando os pedestres que passavam. mas como bem sabemos, existem algusn requisitos básicos para essa abordagem: ser preto e/ou ter cara de pobre. como eu tava ali arrumadinho, universitário-like, ninguém (dessa vez) me abordou. mas um estudante da faetec (com blusa da escola), que passava por ali, não teve a mesma sorte e foi abordado. por coincidência do destino, era preto.
só que o moleque era sagaz e mandou essa em alto e bom som: "todo dia que passo aqui esse cara me revista, mas não revista gente branca". ah,mané...
os policiais: "tá pensando que a gente é o quê,moleque? que a gente tá de sacanagem?" e caíram de esporro no moleque, que tava calmão só perguntando por que eles tavam nervosos e tal. mandou muito bem,mas teve que escutar sermões e ameaças, dizendo que nem todos os policiais tinham "paciência" (que lindo!) com aquela atitude dele e dizendo que eles subiam morro pra proteger a população. verdades em todos os aspectos, feliz e infelizmente.
que a maioria dos policiais têm uma abordagem racista e preconceituosa, é verdade. esse estudante foi um deles, e eu e a torcida do mengão sabemos muito bem disso, lugar comum total pra quem é pobre.
e que eles ganham mal,a gente sabe também. aí volto na reportagem da tv. o Rio tem o segundo pior soldo entre as PMs do Brasil, só perdendo pra Alagoas. só que acabou de sair um decreto lá reajustando em 128% o salário e daqui a uns meses o Rio vai ter o pior salário do Brasil.
o que não justifica o cafezinho, nem por um carai. nem compactuo com essa banda mafiosa, que cosntitui grande parte dos policiais, infelizmente. mas com esse salário de 800 merréus, o ato de servir e proteger fica complicado...
enfim,seguem abaixo algumas rimas, vamos ver como ficam musicadas.
" eu me pergunto, pra que serve a polícia?
revista sempre negro e não revista patrícia
gerencia milícia, coletivo racista
mal-remunerada, mas isso não justifica
porta da UERJ,2007,era maio
cheguei cedo pra aula, busão veio que nem raio
vi uma cena da qual tô acostumado
vi um moleque preto,então,sendo revistado
só que diferenciado,esse se revoltou
disse que a intereplação era por causa da cor
policial não gostou, partiu logo pra cima
é o verme racista que inspira essa rima
tensão era o clima daquela situação
e eu sentado com caderno e com caneta na mão
o moleque perguntando pq só paravam preto
e já eram 3 PMs pedindo respeito
de arma na mão, gritando e dedo pro alto
e só ficando nessa pq estava no asfalto
e dizendo que ter direitos é o caralho
"revistando suspeito eu tô fazendo meu trabalho"
é coisa difícil proteger e servir
mas é muito mais fácil se vender e extorquir
recebendo propina,o famoso café
IPVA não tá pago, dá vintinho que já é
mas bem dichavado e depois mete o pé
é por essas e outras que eu perco minha fé
a polícia é o estado que sobe na favela
troca tiro com a boca e vende arma pra ela..."
depois tem mais.
abraço a todos,
Flávio.
