olá,amigos.
em verdade,começo esse post sem muita idéia da forma da escrita,mas sim movido por coisas que vi e marcaram meu final de semana.
a mais emblemática foi na minha volta para casa de uma cerveja com amigos nesse sábado,onde parei pra comer um podrão no meu bairro (Higienópolis,subúrbio do Rio) e peguei um trecho da entrevista da
Tati Quebra-Barraco no programa
Altas Horas.
observemos o contexto desse programa.olhem a platéia.aquilo é representativo da sociedade?é, pode ser que seja,mas da classe média-alta paulista.e acho que nisso aí ninguém pode discordar.e o que mais fiquei encafifado foi como a Tati tava presa,tolida ali naquele meio,que obviamente a desconsiderava e via ali um ser "diferente" (pra ser bonzinho),tal qual observam num zoológico ou num freak show.e já fui em show dessa mulher,ela larga o prego geral.mas ali,ela tava travadaça.o apresentador só fortalecia mais aquela posição,ao fazer perguntas edificantes,como: "vc já bateu em alguém?"
mas calma aí,cumpádi:o que é representativo?
quem é que representa,como diz a expressão comum no hip-hop?vamos trabalhar a questão,pra começo de conversa:qual é a do funk?o De Leve disse uma vez que o funk aqui no Rio é como o rap em Sampa.é manifestação cultural.e é sim.foi sim.pq foi e não é mais?outros quinhentos.
o funk é uma manifestação cultural da massa,oriundo do oprimido.da favela,do subúrbio.dizia a realidade de quem mora ali,de quem entende aquilo e se identifica.o próprio
Rap da Felicidade é um exemplo disso.li um texto uma vez onde diz que o dominador,no entanto, tende a corromper a manifestação da massa,adquirindo e corrompendo-a.bons contratos,funk na Circus,nas grandes discotecas e nos grandes veículos de mídia.mas um funk diferente,mais "leve",sem essa "realidade feia".e é isso aí que tá agora e há um bom tempo atrás.o mesmo tentam fazer com o rap aqui no país.pq o dos gringos já tá assim há muito tempo e o que vocês consomem mostra isso:
50 cent,carrões,mulheres gostosas,dinheiro...poucos são os que trabalham o rap underground.a Elza,o Marechal,o Parteum fazem parte desse universo underground e lutam com unhas e dentes.tamo junto.
mas voltando ao funk:a questão é essa.pode não se gostar de funk,já é padrão dizer isso.mas ele,o pagode (o das antigas), fazem parte desse universo que chamamos de
manifestações culturais,que vêm da massa.eu considero o funk uma manifestação cultural,não obstante estar
totalmente absorvido,onde não se aborda mais as questões com as quais eu me identificava.e hoje a mensagem passada segue outros interesses que os das antigas,onde o protesto era presente.
e a mulher lá no Altas Horas,sendo
desconsiderada, por um bando de playboys alienados da realidade.que não sabem que o boné de tela que eles usam e que tá na moda,virou moda pq os negros do subúrbio americano não tinham dinheiro pra comprar os bonés caros e compravam esses no supermercado.resultado:os burgueses viram,adoraram,adotaram e hj compram um boné que custa 70,
100 dinheiros e não sabem nem a origem.
é legal,é da moda.
o que quero dizer,fazer aqui,é uma
ode ao subúrbio.conheço gente que não tem idéia aonde eu moro,acha que é longe pra carai,que deve ser só favela (e se fosse não haveria problema nenhum),e olha que até um bairro bom,perto do todo.mas parece que tudo que vem daqui é sub-cultura,que existem zonas onde não há produção cultural.o que é isso?e não cito o funk aqui, mas o
samba,o
hip-hop (periferia paulista e de todo o país,de todos os países), o
rock e muita coisa que a gente mete bronca e nem sabe a origem.
eu sou suburbano,a Intifada é suburbana,eu tenho muito orgulho disso.
Flávio.