o EZLN,festivais...
olá,bondão.
esse blog não tá com muitas atualizações,nos desculpem.a Intifada tá de molho.a correria pessoal dos 4 tá foda,mas não pensem que estamos de bobeira.tá tudo encruando,e então melodias novas e letras novas tão surgindo,já já mais material bom para gravação.
e estamos inscritos em 2 festivais no momento.um é o oi tem peixe na rede, que tá reunindo várias bandas amigas nossas e a votação já começou.se você curte a Intifada e é nosso amigo,acessa o link abaixo e vote na gente:
http://www.oitempeixenarede.com.br/index.php?op=1&id=605
aliás,quem não é nosso amigo pode votar também!
outro festival em que estamos inscritos é o do Entropia convida, festival feito por uma trupe muito da responsa e que quando tivermos mais detalhes,coloco aqui.
no mais,um texto muito legal sobre o EZLN,exército zapatista de libertação nacional, movimento mexicano de resistência indígena.quer saber mais?acessa o link ali do lado.
sobre o texto,é o seguinte:o presidente do time de futebol da Inter de Milão, Massimo Moratti, convidou o EZLN para uma partida amistosa de futebol,com a renda a ser revertida para o movimento.esta carta então é uma resposta para o presidente da Inter.é longa, mas muuuuuito boa.vale a pena de ser lida até o final e ela é escrita pelo líder do Exército Zapatista,o Subcomandante Marcos.
vai abaixo.a tradução não tá das melhores,mas dá pra entender legal a mensagem.
longa vida ao EZLN.e à Intifada também.
abraço,
Flávio.
25 de Maio do 2005
Para: Massímo Moratti, Presidente do F. C. Internazionale de Milano.
Milão, Itália.
De: Subcomandante Insurgente Marcos. EZLN. Chiapas, México.
Dom Massimo: Chegou a nós a carta na que nos comunica que sua equipe de futebol, o F.C. Internazionale, aceitou o desafio fraternal que lhes fizemos. Agradecemos-lhe o tom amavel de sua resposta e a honesta disposição. Através dos meios de comunicação, inteiramo-nos das declarações de diretores, corpo técnico e jogadores do Inter. Todos são mostras mais da nobreza de seus corações. Saiba você que nos alegramos por tê-los encontrado em nosso já longo caminho e que é uma honra para nós ser uma parte da ponte que une duas terras dignas: Itália e México. Comunico a você que além de porta-voz do EZLN, fui designado por unanimidade Diretor Técnico e encarregado de Relações Intergalácticas da seleção zapatista de futebol (bom, na realidade ninguém mais quis aceitar o trabalho). Nesse caráter, talvez deveria eu aproveitar esta carta para avançar na concretização de detalhes sobre o confronto.
Por exemplo, talvez lhe proporia que, ao invés de que o encontro futebolístico se limite a uma partida, sejam 2. Uma no México e outra na Itália. Ou seja, uma de ida e uma de volta. E que em ambos se disputasse o troféu conhecido mundialmente como "O Pozol¹ de Barro". E talvez lhe proporia que o jogo no México fosse, com vocês de visitantes, no Estádio Olímpico México 68, em CU, no DF, e que o arrecadado na bilheteria fosse para os indígenas deslocados pelos paramilitares nos Altos de Chiapas. Ainda que, claro, então teria eu que mandar uma carta à comunidade universitária da UNAM (ou seja alunos, professores, pesquisadores, trabalhadores manuais e administrativos) para pedir-lhes que nos emprestassem o estádio, não sem antes prometer-lhes solenemente que não lhes pediríamos que guardassem silêncio... para depois impor-lhes a palavra de Dom Porfirio.
E talvez lembraríamos que, já que já estariam em México, jogássemo-nos outra partida em Guadalajara, Jalisco, e que a bilheteria fosse para apoiar juridicamente aos jovens altermundistas presos injustamente nos cárceres dessa província mexicana, e aos presos políticos que há em todo o país. O transporte não seria problema porque li que alguém aqui no México, generoso como sempre, ofereceu seu apoio. E talvez, se você está de acordo, para as partidas no México, o EZLN se dirigiria no seu momento a Diego Armando Maradona, para pedir que fora o arbitro central; a Javier O Vasco Aguirre e a Jorge Valdano, para solicitar-lhes que atuem como árbitros auxiliares (ou porta-bandeiras); e a Sócrates, meio-campo que foi do Brasil, para que estivesse como 4° árbitro; e talvez convidaríamos a esses dois intergalácticos que viajam com passaporte uruguaio: Eduardo Galeano e Mario Benedetti, para\r\n que narrassem a partida para o Sistema Zapatista de Televisão Intergaláctica ("a única televisão que se lê"). Na Itália os comentaristas poderiam ser Gianni Mina e Pedro Luis Sullo. E, talvez, para se esclarecer da coisificação da mulher que se promove nas partidas de futebol com as animadoras de torcidas e nos comerciais, o EZLN pediria à comunidade lésbico-gay nacional, especialmente a travestis e transexuais, que se organizassem e deleitassem com respeitável inovadoras piruetas nas partidas no México e, além de provocar a censura da TV, o escândalo da ultradireita e o desconcerto nas fileiras do Inter, elevassem assim a moral e o ânimo da nossa equipe. E é que não existe unicamente 2 sexos e não só existe um mundo, e sempre é recomendável que os perseguidos por sua diferença compartilhem alegrias e apoios sem deixar de ser diferentes. E, já que estamos no caminho, jogaríamos outra partida em Los Angeles, na California, EU, cujo governador (que substitui a falta de neurônios com esteróides) leva adiante uma política criminosa na contramão dos migrantes latinos. O total da bilheteria desse desafio seria dedicado à assessoria legal para os indocumentados nos USA e para encarcerar os meliantes do "Minuteman Project". Ademais, o "dream team"(time dos sonhos) zapatista levaria um grande cobertor na qual se leria "Liberdade para Mumia Abu Jamal e Leonard Peltier". ",1]
É provável que o Bush não permita que nossos modelos de passamontanhas temporada primavera-verão causem furor em Hollywood, assim o encontro se poderia deslocar ao digno solo cubano, frente à base militar que, ilegal e ilegitimamente, mantém o governo dos Estados Unidos em Guantánamo. Neste caso, cada delegação (a do Inter e a do Ezeta) se comprometeria a levar, ao menos, um quilo de alimentos ou medicamentos por cada um de seus membros, como símbolo de protesto contra o bloqueio que sofre o povo de Cuba. E talvez lhe proporia a você que as partidas de volta fossem na Itália, com vocês "donos da casa" (e nós também, porque é sabido que o gosto italiano é majoritariamente pró-zapatista). Uma poderia ser em Milão, em seu estádio, e a outra onde vocês decidam (pode ser em Roma, por aquilo que dizem que "todas as partidas levam a Roma"... ou é "todos os caminhos levam a Roma"?... em fim, tanto faz). Uma das bilheterias seria para apoiar aos migrantes de diferentes nacionalidades que são criminalizados pelos governos da União Européia e a outra para o que vocês decidirem. Mas, isso sim, nós precisaríamos, entretanto, um dia para ir a Gênova a pintar-lhe caracolzinhos à estátua de Cristóvão Colombo (nota: a provável multa por danos a monumentos deverá ser coberta pelo Inter), e para levar a flor de uma recordação ao lugar onde caiu o jovem altermundista Cario Giuliani (nota: a flor vai por nossa conta).
E, se já estamos nas Europas, poderíamos jogar uma partida na Euzkal Herria no País Vasco. Se não se pôde da "Uma oportunidade à Palavra", tentaríamos então "Uma oportunidade ao Pontapé". Nós nos manifestaríamos frente à casa principal dos racistas do BBVA-Bancomer, que tratam de criminalizar a ajuda humanitária às comunidades indígenas (talvez para distrair do processo judicial que carregam por "evasão fiscal, contas secretas, fundos de pensão ilegais, lavagem de dinheiro, contribuições secretas a campanhas políticas, subornos para comprar bancos na América Latina e apropriação indevida de bens" (Carlos Fernández-Vega. "México
Mmh... Parece que já seriam então 7 partidas (o que não está mal, porque assim disputaríamos a audiência da Eurocopa, da Libertadores e das eliminatórias para o Mundial). O "Pozol de Barro" obteria, então, quem ganhasse 4 dos 7 partidas (nota: se a equipe zapatista perde mais de 3 encontros, se anulará o torneio). Demasiados? Bom Dom Massino, tem você razão, talvez é melhor deixá-lo em 2 partidas (uma no México e outra na Itália), porque não queremos\r\n manchar muito o histórico do Inter com as derrotas que seguro lhes propiciaremos. Talvez, para equilibrar um pouco sua evidente desvantagem, passaria a você informação secreta. Por exemplo, que a seleção zapatista é mista (ou seja, que há homens e mulheres), que jogamos com botas das chamadas "mineiras" (ou seja que possuem ponta de aço, por isso se estouram as bolas), que, segundo nossos usos e costumes, a partida só acaba quando não fica em pé nenhum dos jogadores de uma das equipes (ou seja, que são da alta resistência), que o EZLN poderia reforçar-se a discrição (ou seja que os mexicanos "Bofo" Bautista e Maribel "Marigol" Domínguez pudessem aparecer no alinhamento... se é que aceitam); e que desenhamos um uniforme camaleónico (se vamos perdendo, na nossa camiseta aparecem riscas negras e azuis, confundindo ao rival, ao arbitro... e ao público). Também que temos estado praticando, com relativo sucesso, duas novas jogadas: a "marquiña avanti fortiori" (nota: traduzido a\r\n termos gastronômicos seria algo bem como um bolo de pizza e guacamole) e a "marquiña caracoliña com variante inversa" (nota: o equivalente a espaguetti com feijão da panela, porém velhos). Com tudo isto (e algumas outras surpresas) talvez revolucionaríamos o futebol mundial, e então, talvez, o futebol deixaria de ser só um negócio e seria, outra vez, um jogo divertido. Um jogo feito, como você bem o diz, de sentimentos verdadeiros. Talvez... No entanto, a presente é só para reiterar-lhe a você e a sua família, a todos os homens e mulheres em torno do Inter e ao gosto nerazzurro, o carinho, o agradecimento e a admiração que lhes temos (ainda que lhes advirto que, frente à meta, não teria piedade nem misericórdia). De todo o restante, bom... talvez... mas... ",1]
Mmh... Parece que já seriam então 7 partidas (o que não está mal, porque assim disputaríamos a audiência da Eurocopa, da Libertadores e das eliminatórias para o Mundial). O "Pozol de Barro" obteria, então, quem ganhasse 4 dos 7 partidas (nota: se a equipe zapatista perde mais de 3 encontros, se anulará o torneio).
Demasiados? Bom Dom Massino, tem você razão, talvez é melhor deixá-lo em 2 partidas (uma no México e outra na Itália), porque não queremos manchar muito o histórico do Inter com as derrotas que seguro lhes propiciaremos. Talvez, para equilibrar um pouco sua evidente desvantagem, passaria a você informação secreta. Por exemplo, que a seleção zapatista é mista (ou seja, que há homens e mulheres), que jogamos com botas das chamadas "mineiras" (ou seja que possuem ponta de aço, por isso se estouram as bolas), que, segundo nossos usos e costumes, a partida só acaba quando não fica em pé nenhum dos jogadores de uma das equipes (ou seja, que são da alta resistência), que o EZLN poderia reforçar-se a discrição (ou seja que os mexicanos "Bofo" Bautista e Maribel "Marigol" Domínguez pudessem aparecer no alinhamento... se é que aceitam); e que desenhamos um uniforme camaleónico (se vamos perdendo, na nossa camiseta aparecem riscas negras e azuis, confundindo ao rival, ao arbitro... e ao público). Também que temos estado praticando, com relativo sucesso, duas novas jogadas: a "marquiña avanti fortiori" (nota: traduzido a termos gastronômicos seria algo bem como um bolo de pizza e guacamole) e a "marquiña caracoliña com variante inversa" (nota: o equivalente a espaguetti com feijão da panela, porém velhos).
Com tudo isto (e algumas outras surpresas) talvez revolucionaríamos o futebol mundial, e então, talvez, o futebol deixaria de ser só um negócio e seria, outra vez, um jogo divertido. Um jogo feito, como você bem o diz, de sentimentos verdadeiros. Talvez... No entanto, a presente é só para reiterar-lhe a você e a sua família, a todos os homens e mulheres em torno do Inter e ao gosto nerazzurro, o carinho, o agradecimento e a admiração que lhes temos (ainda que lhes advirto que, frente à meta, não teria piedade nem misericórdia). De todo o restante, bom... talvez... mas...
Valeu, Saúde e que cedo se encontrem nos dois solos as verde-branco-vermelho que cobrem nossas dignidades.
Das montanhas do Sudeste Mexicano.
Subcomandante Insurgente Marcos

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