o coletivo da Intifada.
Coletivo, por definição, seria aquilo que compreende ou abrange muitas pessoas ou coisas; ou tudo o que lhes diz respeito enquanto conjunto.
No entanto, essa seria uma conceituação muito simplória para algo que não se limita a uma simples reunião de indivíduos.
NÃO!
COLETIVO, vai muito, além disso...
COLETIVO, na verdade, significa união não só de pessoas; mas sim de pessoas com idéias e objetivos em comum. Objetivos estes que dizem respeito não só a esse grupo, mas a sociedade como um todo.
Objetivos que refletem nossa indignação com o tratamento dispensado pelo governo e pelos mecanismos de repressão desse país à grande maioria dos seus "filhos".
COLETIVO é deixar de lado todo o materialismo, o medo, a apatia, a omissão e enxergar através das barreiras invisíveis do nosso preconceito enrustido e acomodação, para ver que existe uma realidade diferente daquelas mostradas pelas novelas de Manoel Carlos, bem como pelos modelinhos perfeitos de vida apresentados pela televisão; mas que não passam de "exageros" aos olhos de grande parte dos alienados que vivem presos em seus mundinhos que giram em torno dos seus próprios umbigos repletos de preocupações com questões de "extrema relevância" como o que se deve usar para se manter na moda?
COLETIVO é enxergar que há algo mais entre os condomínios e prédios luxuosos de frente para o mar e as belas colinas da Zona Sul do Rio de Janeiro - ou deveria dizer "morros"? - Há sim, dentro desse limite territorial espremido, toda uma população, uma cultura, que ao contrário do que muitos querem idealizar; não é diferente da minha ou da sua cultura e realidade, mas é sim, parte integrante delas. É uma comunidade que, infelizmente, se construiu desde os tempos mais remotos da colonização - se me permitem o anacronismo - como excluída, esquecida.
Estes são alguns dos fatores que contribuem para a formação do poder paralelo, da criminalidade e, conseqüentemente, da utilização de medidas repressoras. Medidas estas que visam, na maioria das vezes, garantir a relativa segurança dos nossos "modernos castelos medievais", onde os abastados procuram manter seu "Éden" imaculado e longe da barbárie; a qual assim como no período do Império Romano é constituída na alteridade. Isto é, por todos aqueles elementos que habitam o outro lado das muralhas, ou devo dizer dos condomínios, carros blindados etc.
Nesse conflito, muitas vezes, se esquece que há uma diferença gritante entre moradores de comunidades carentes, periferias e criminosos. O abuso da força repressora e o preconceito das camadas médias e altas da sociedade, entretanto, se estendem a todos os menos abastados. Sem exceção!
COLETIVO é, nesse sentido, uma luta que precisa ser travada por todos nós contra essa desigualdade, a favor do fim da concentração de renda e da segregação sócio-espacial. Uma luta para que todas as vítimas da injustiça social sejam reconhecidas como cidadãs; e não só pelos aparelhos burocráticos - o que é bem providencial em épocas de eleição - mas por toda a sociedade; podendo, então, se sentirem como tais, embora já saibamos que o são tanto quanto qualquer outro indivíduo.
COLETIVO é, portanto, dar as mãos em prol de um ideal nobre, aquele que busca, acima de tudo, a paz e a igualdade; e dessa forma procura combater e por fim aos abusos e privilégios daqueles que já gozaram tempo suficiente da impunidade, enriquecendo as custas das lágrimas de mães que perderam seus filhos para o crime, para as drogas e,muitas vezes, até mesmo para a fome.
extraído do site www.coletivox.com.br

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